O facto é: quanto mais ignorantes forem os povos, mais “mexedelas” querem fazer à sua Língua falada e escrita, simplificando-a até à mais básica das fórmulas, para não terem o trabalho de a pensar. Isto não é da minha autoria, li algures, algo assim, já não me lembro aonde, mas concordo com isto plenamente...
E, actualmente, há dois povos neste nosso Mundo virado do avesso em quase tudo, que têm mais ignorantes por metro quadrado do que todos os outros povos: Portugal e Brasil, que partilharam a mesma Língua, mas devido à ignorância de um e de outro, esfarraparam essa Língua, que era tão nobre quanto as restantes Línguas europeias, e, hoje, não passa de uma maltrapilha que envergonha Portugal.
Alguém vê os outros países europeus a “mexer” constantemente nas respectivas Línguas, que evoluíram, mas estão fixadas na sua forma já evoluída, tal como a nossa era?
Como se as reformas ortográficas a cada mudança de século, já não bastassem, para irem desvirtuando a Língua que nos deixaram, (agora atenção!!!!!) um premiado escritor angolano, de nome José Eduardo Agualusa, propõe novo nome para a Língua Portuguesa, como se alguma autoridade tivesse, para o fazer ou propor, uma vez que a Língua Portuguesa é de Portugal, e quem a adoptou ou a trata bem, ou muda o nome da Língua que criou a partir da sua Genetriz. Querem saber qual seria esse nome (porque jamais será)?
“LÍNGUA GERAL”, que, digo eu, poderá identificar os restantes países mal denominados lusófonos, excepto Portugal, que continuará a ser identificado pela sua Língua Portuguesa, que ninguém tem o direito de mudar. Que adoptem os dialectos locais, que lhes pertencem, e esqueçam que algum dia falaram a Língua do tão odiado opressor!
Sentiram-se insultados? Também eu.
E os argumentos, que Agualusa usa para justificar tal generalidade, são de fugir!!!!!
Agualusa é angolano, mas adora o Brasil, onde morou durante dois anos, e é lá que está, para lançar um livro, e falar sobre (atenção!!!!) “as aventuras das Línguas Portuguesas”, como se houvesse mais do que uma Língua Portuguesa. E é claro que ele gosta da Língua Angolana, bem como da Língua Brasileira, que integra muitos vocábulos de África, por isso é natural que a Língua Brasileira lhe diga muito mais do que a Língua Portuguesa, a que ele dá tratamento de polé, como irão ver.
E sobre o que ele designa falsamente como “língua portuguesa” diz que esta é uma língua que todos os dias reinventamos, nós, Angolanos, Brasileiros, Portugueses etc.. E diz mais, diz que é uma língua que se foi construindo e sofisticando [saberá Agualusa o significado de sofisticando, que além de significar adulterando, também significa requintando, e se adulterando é bem verdade, já requintando é uma piada de mau gosto?] ao longo dos séculos, através do namoro com muitos outros idiomas: o árabe, o kimbundo, o guarani, o kikongo, o umbundo, o macua e tantos outros. [Nestes tantos outros, leia-se dialectos indígenas do povos africano e brasileiro.
Pois, tirando o Árabe, que, na verdade, tem a ver com a Língua Portuguesa, os restantes idiomas, que enriqueceram as Línguas Brasileira e Angolana, mas que são idiomas alienígenas, e em absolutamente nada dizem respeito a Portugal e à Língua Portuguesa.
E dito isto, Agualusa acrescentou que esta é verdadeiramente a nossa [a deles] Língua Geral. A Língua geral deles, obviamente, a de Angola, a do Brasil, e a de quem mais se identificar com o kimbundo, o guarani, o kikongo, o umbundo, o macua e tantos outros idiomas indígenas, que são às centenas, e todos eles muito válidos!
Então Agualusa teve a desbrilhante ideia de dizer que esta talvez seja uma boa altura para pensar numa designação que reflita [em Língua Portuguesa escreve-se refliCta] o que a língua é hoje, não mais uma língua portuguesa, [agora vejam como ele trata a Língua de Portugal] não mais um idioma colonial, de opressão, de exploração, de domínio, mas um território de encontros e de afetos, [em Língua Portuguesa escreve-se afeCtos] uma “Língua Geral”.
Porém, pensando melhor, esta talvez seja uma boa ideia e uma boa altura para o corte do cordão umbilical, ao qual o Brasil e os países africanos ainda estão agarrados: os Portugueses recuperam a sua verdadeira identidade, com a SUA Língua Portuguesa, a que está “de jure” em vigor, em Portugal, e os restantes países da CPLP ficam identificados com a tal “Língua Geral”, enriquecida com os Idiomas indígenas brasileiros e africanos, e esse será um belo nome para uma Língua que não é mais colonial, de opressão, de exploração, de domínio [se bem que o povo indígena brasileiro ande a ser mais explorado e oprimido do que no tempo do colonialismo português].
Penso que a ideia de Agualusa seja mesmo esta: a do Corte Geral com o tão odiado colonizador, e este, por sua vez, livra-se da linguagem mutilada, que o Brasil impingiu aos muito subservientes governantes portugueses, e que afasta os Portugueses da sua Família Linguística Indo-Europeia.
Isabel A. Ferreira