O Lugar Da Língua Portuguesa

Neste quadro, onde aparecem as Línguas e bandeiras europeias, o que estará ali a fazer a bandeira brasileira assinalada como “Português”?

Enviaram-me esta imagem via-e-mail com a seguinte legenda:

«Não podemos admitir tal imposição, tal ultraje, é INADMISSÍVEL! Não poderá isto configurar um crime de lesa-pátria portuguesa?»

Vemos frequentemente este insulto a Portugal: a bandeira brasileira entre as bandeiras europeias a assinalar o Português. Sempre considerei isto usurpação do símbolo maior que nos identifica como um Povo. Até porque, no Brasil, escreve-se e fala-se a Variante Brasileira do Português, e disso sou eu testemunha. 

E isto, na verdade, pode configurar um crime de lesa-pátria portuguesa, até porque a bandeira de Portugal desapareceu, por completo, do mapa das línguas, por toda a Internet, e o Brasil apoderou-se do Português, que até já nem é Português do Brasil, mas simplesmente “Português”.   

O Português só pode ser assinalado com a bandeira de Portugal, porque o Português é Português, e as linguagens dele derivadas são variantes, dialectos, que bem poderão ser Línguas, como já aconteceu com o Crioulo Cabo-verdiano, oriundo do Português, que agora se designa como Língua Cabo-verdiana. E no Brasil, o que lá se fala e escreve é, para a grande maioria dos Brasileiros, inclusive, para alguns linguistas brasileiros, a Língua Brasileira, o Brasileiro.

Portanto, a bandeira brasileira só representa o Brasilês, que não tem lugar entre as Línguas europeias.

 

E o mais grave é que nem os ex-Presidentes da República tiveram, nem o actual Presidente da República tem o brio suficiente para acabar com este insulto e com esta usurpação da Língua de Portugal. Porquê? Será que se deixaram subjugar pelo gigante, que só é gigante no tamanho, uma vez que usurpar a Língua de um País livre e soberano (pelo menos é o que consta, mas perante as evidências, eu duvido) não é digno do gigante.

O Português só pode ser assinalado com a Bandeira de Portugal, entre as bandeiras das Línguas europeias.

E se eu estiver errada, quanto  a este abuso configurar um crime de lesa-pátria portuguesa, desafio os juristas portugueses a desmentir-me.

Isabel A. Ferreira

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