O Lugar Da Língua Portuguesa

«Aborto ortográfico: nem as melgas o entendem»

Decidido a acabar com as melgas em casa, procurei na prateleira do supermercado a solução, entre insecticidas e “inseticidas”, alguns eléctricos, outros “elétricos”. Nem as melgas entendem isto…

 in Blogue: 3P Portugal País de Patetas

A trapalhada em que políticos ignorantes, professores mesquinhos - os que só pensam no salário - e um povoléu a quem tanto faz como fez e que só se sente patriota quando um esférico corre na relva, tornaram a Língua Portuguesa, acaba por dar cabo da normalidade em tudo o que é sitio, mesmo numa prateleira de supermercado.

Ali, descobre-se como o crime de lesa-língua que vomitaram sobre a Língua Portuguesa está a criar uma geração - mais - de analfabetos para engrossar as de um país que já não botava duas linhas direito. Agora, é o que se vê, como revela Nuno Pacheco Público (jornal que, infelizmente também deixa que o crime do “abortês” lhe manche as páginas…) ou, na Internet, n’O Lugar da Língua Portuguesa, de Isabel A. Ferreira, onde muitas destas trapalhadas são contadas/reveladas, sem que isso pareça preocupar alguém… Que triste país este, que tristes patetas os que nada fazem para inverter o desastre…Bottom of Form

Voltando às melgas, a prateleira de supermercado que ilustra esta nota, e que deve ser semelhante às de outros lugares de comércio, é um expositor da ignorância e deixa andar deste patetas com que me cruzo todos os dias. No topo da rima de prateleiras um imenso INSECTICIDAS recorda-nos um tempo em que se falava e escrevia Português. Mas baixe os olhos para os pequenos letreiros indicando os preços e encontrará, lado a lado, insecticidas, a norma, e o moderno “inseticida”, um sinal evidente de que alguém perdeu o Norte, a coerência, o rumo, a simples vontade de chamar as coisas pelos nomes. Para este povoléu sem espinha dorsal, tanto faz como fez…

As diferentes prateleiras são o sinal evidente do analfabetismo crescente deste gente. Naquele mostruário de soluções para as diferentes pestes domésticas também há armadilhas “detetoras” e produtos para 45 noites de “proteção”, a par com sinais evidentes da deriva da “novilíngua” face aos vizinhos espanhóis. Embalagens de alguns produtos indicam, em bom castelhano, “protección sin insecticidas” enquanto o texto para o povoléu regista “proteção sem inseticida”. Pena não haver algo que nos proteja da trapalhada que Malaca Casteleiro e outros - ignorantes - nos despejaram em cima…

Ao olhar para as diferentes marcas em exposição quase se fica a pensar se umas são pró e outras contra o “abortês”. Mas não, aquilo convive tudo bem com a mesma trapalhada. A marca Raid escreve, numa embalagem, “Líquido Eléctrico Antimosquitos” (não me perguntem o que significa mas o termo eléctrico está correcto) para logo ao lado prometer “proteção continua” e na lateral da embalagem referir um “choque elétrico” que me deixou chocado. Numa outra face da mesma embalagem reforça o termo eléctrico, surpreendendo-me. Talvez, ainda pensei, eles façam isto para agradar a TODOS os consumidores: os analfabetos e os que ainda sabem ler. Mas não, não penso que a RAID tenha inteligência para tal. E, analisando outras embalagens da marca, confirmo que aquilo é uma absoluta salgalhada.

Nem as melgas e os mosquitos entendem o que sucedeu aos venenos usados para as/os liquidar: eléctrico e “elétrico” convivem bem, aparentemente, na embalagem da RAID, e outros sinais da confusão confirmam a ignorância latente. O termo português reacção ainda sobrevive - agora escreve-se “reação”, como nos Brasis, diz-me a Priberam/Amalia - mas o moderno “corretamente” - como é que tal disparate é correcto? - insinua-se no texto, que nos explica como proceder para “o produto actuar”. Pasme-se, a palavra em Português actuar sobrevive, porque, modernamente, diz-se “atuar”. Que, descubro na Priberam (agora com a IA Amália a ampliar a trapalhada)…, além de significar agir, porque se escreve na forma “descomplicada” ATUAR, também significa TUTEAR… ou AMUAR. Vá lá a gente entender a simplicidade do Aborto Ortográfico!!!

A confusão e a adopção do “abortês” perpassam por toda a prateleira e nenhuma marca é imune a essa peste. E os letreiros com indicação dos preços dos produtos continuam o disparate: há “insecticida eléctrico”, “inseticida elétrico”, “insecticida elétrico” inseticida eléctrico” só confirmam que a “novilíngua” não une, porque cada - ignorante - escreve como lhe apetece, o que deve deixar ufanos todos aqueles que pretendem matar o Português.

Seria bom ter um insecticida que matasse esta peste do “abortês” à nascença… mas ainda estamos a tempo de acabar com o erro que deu cabo de uma língua. Basta haver quem os tenha no lugar e respeito pela Constituição, pela Nação e pela Lei, dado que o “abortês” é, efectivamente, ilegal, e foi imposto a um povoléu analfabeto que é do mais manso e pateta que há… excepto quando há futebol, momento em que desfralda a bandeirinha nacional e berra aos quatro ventos “portugaaaal”.... Depois, passada a excitação desportista, volta a aceitar tudo o que políticos e outros crápulas agindo em território nacional e a mando de alguém, lhe dizem ser o futuro e veste-se de “abortista”. Nem as melgas entendem isto…

 

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