O Lugar Da Língua Portuguesa

Sobre o AO90: «O que nos estão a impor não é, de facto, uma norma brasileira. É muito pior!», diz-nos a linguista M. Carmen de Frias e Gouveia

Esta é outra voz potente que os governantes portugueses, especialmente o novo Presidente da República, que ocupa o mais alto cargo da Nação, devem ouvir para que não andemos por aí a ser enxovalhados, por termos permitido que a Língua de Portugal desaparecesse da Internet, simplesmente pelo querer de pessoas sumamente ignorantes e sem um pingo de visão e racionalidade.

Daí que gritemos todos em uníssono:

 «O que nos estão a impor não é, de facto, uma norma brasileira. É muito pior! É uma "coisa" (para não lhe chamar algo ainda pior...) inadmissível, incoerente, mal elaborada, que não tem a menor viabilidade e critério, que desrespeita a história linguística e que, aliás, cria ainda mais diferenças entre as duas variedades mais faladas da nossa língua: os brasileiros continuam a usar "aspecto" e "recepção" (tanto mais que pronunciam a consoante muda; consoante essa que se mantém, como muito bem, noutras línguas estrangeiras) e em Portugal obrigam-nos a tirá-la... Ou seja, nem o objectivo de "unidade" é atingido no que seria mais fácil manter... E, ouve-se (e lê-se) claramente: a "febre" de fazer desaparecer as consoantes mudas no nosso país deu aberrações como "contato" e afins...! Sempre contra o AO!»

M. Carmen de Frias e Gouveia – Linguista e docente (da secção de Português) da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

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Algumas vozes vão-se calando, pela Lei da Vida,  a Língua Portuguesa cada vez mais se afunda na lama, por isso, é preciso continuar a mostrar ao mundo que Portugal existe, tem um quinhão de Povo em alerta máximo, e, principalmente, tem uma Língua que lhe pertence, que o identifica e que será defendida até ao último fôlego, quer queiram os governantes, quer não queiram.

Isabel A. Ferreira

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