A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), celebrou ontem, 22 de Maio, data em que completou 101 anos de existência, o Dia do Autor Português, numa cerimónia realizada na galeria Carlos Paredes, presidida pelo Presidente da República, António José Seguro, e na qual foram homenageadas com uma Medalha de Honra, várias personalidades que se distinguiram pelo seu percurso intelectual, profissional e cívico.
Entre elas, o jornalista e escritor Miguel Sousa Tavares, que no seu discurso de agradecimento, aproveitou o momento para deixar o seguinte apelo ao Presidente da República Portuguesa:
«Enquanto utilizador desta Língua maravilhosa que nos deixaram e a todos nos cabe defender, eu entendo (se calhar é um abuso), que faz parte das funções presidenciais, faz parte da soberania nacional a defesa da Língua Portuguesa, tanto ou mais do que gastarem cinco mil e 600 milhões em armamento».
E o Miguel disse algo mais, que a SIC não mostrou. O Miguel apelou ao PR para que usasse todos os seus poderes, explícitos, implícitos, subentendidos, sub-reptícios, para convencer o governo a deitar para o lixo este acordo ortográfico.
Porém, como já era de esperar, António José Seguro, que é do regime, mais do que presidente dos Portugueses, ignorou este apelo do Miguel Sousas Tavares, no seu discurso de encerramento da cerimónia.
Aplaudo a coragem de Miguel Sousa Tavares, aquela coragem que sempre esperei de tantos outros, que dizem ser contra o ilegal e inconstitucional AO90 [a filoxera que está a devastar a Língua Portuguesa], e que têm acesso privilegiado aos órgãos de comunicação social e aos governantes portugueses; ou durante cerimónias deste género; ou, por exemplo, do género do Correntes d’Escritas, realizado na Póvoa de Varzim, onde participam muitos anti-acordistas, que poderiam aproveitar o momento para defender a Língua maravilhosa que Portugal está em vias de perder; ou nas Feiras do Livro, não divulgando ou não adquirindo livros acordizados.
Nesta cerimónia da SPA, o presidente da República ouviu o apelo de Miguel Sousa Tavares, que é também o meu apelo, e o apelo de milhares de portugueses por esse mundo fora, em defesa da Língua Portuguesa.
Só esperamos que Sua Excelência, o Dr. António José Seguro, como defensor e cumpridor da Constituição da República Portuguesa, cumpra o que jurou na tomada de posse do cargo que lhe dá legitimidade para defender a soberania nacional, neste momento, nas mãos de alienígenas, até porque, constitucionalmente, quem é o Presidente da República Portuguesa?
Além de Miguel Sousa Tavares, receberam a Medalha de Honra, Alberto Arons de Carvalho, Alexandre Farto (VHILS), Américo Brás Carlos, Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores (CISAC), COSMOS, Fátima Campos Ferreira, Francisco Fanhais, Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e Maria do Carmo Fonseca.
Foram ainda atribuídos os seguintes prémios:
- Prémio Consagração de Carreira a Pedro Abrunhosa
- Prémio Vida e Obra a Sérgio Godinho
Foi também entregue a Constança Bourgard, vencedora do concurso do presente ano, o Grande Prémio de Teatro Carlos Avilez.
A cerimónia terminou com a actuação do pianista, compositor e orquestrador Filipe Raposo.
Isabel A. Ferreira